Era uma agradável tarde  de verão, lembro-me  como  se fosse ontem.

Pertinho de casa chutávamos bola, a garotada da Vila e eu.

 De repente notamos a presença de um  senhor  que ,

 tendo procurado um lugar adequado,  atraiu  nossa  atenção

 ao  montar um  cavalete  de pintura, fixando nele uma tela em branco.

 Prontamente abandonamos o jogo  e  fomos  observá-lo de perto.

 Com  muita  habilidade  aquela  mão  começava  e  esboçar,

  uma a uma  as casas entre  as árvores, formando um lindo panorama.

 Senti-me orgulhoso  quando  percebi que também a modesta casinha

onde eu morava estava  sendo retratada.  

        Saciada  a  curiosidade,

 gradativamente os garotos  retornaram  ao futebol. 

 Mas  eu  não!

   Extasiado ,   permaneci  ali  observando  atentamente  cada  gesto

 do  artista   que ,  agora , começava a pincelar com vivas cores

 aquela  tela, transformando-a em uma deslumbrante  visão . 

 Aquilo  me  marcou  profundamente  e  naquele  mesmo  instante  

senti que estava tomando uma  das  mais  importantes

decisões de  minha vida .

 Na  manhã  seguinte , com  a inocência  de meus oito anos de idade,

 comecei a improvisar minhas tintas,

 servindo-me de anil,  pasta  de  dente, saibro,  pó de tijolo, enfim,

 tudo  que  pudesse  transmitir  alguma  noção de cor  e

 com um pincel de esmalte de unha,  dava início,

sobre uma  folha de  papel,

        à atividade que nunca mais abandonaria.

 Há algum tempo atrás , tive outra  agradabilíssima   surpresa !

 - fiquei  sabendo que aquele pintor

   que tanto me impressionou, quando  criança, foi o

 professor    Leônidas Justus.

 Por isso,se algum mérito existe  no que venho realizando

 no campo das artes, quero, hoje,

 dedicá-lo inteiramente a você, 

professor  Leônidas Justus que,

       como musa inspiradora , abriu-me as portas para

 o mundo encantado das artes plásticas.

    Horst Schnepper
 

                           Foto da paisagem retratada  pelo Prof. Leônidas  Justus  

             www.horstschnepper.com.br